Depois de todos prontos, seguimos para o show, confesso que foi dificil ter que brigar com Bruno e Davi, pois queriam dar uma “volta” no parque antes do show, mas claro que não daria tempo, então depois de muito escutarem, se deram por vencidos, e seguimos direto pro camarim, fizeram tudo o que tinham pra fazer, e levei algumas garrafinhas de agua pro lado do palco, e fiquei lá, quando vi que os meninos já estavam atrás do palco pra entrar. Não por fazer parte desse mundo, mas eles são incriveis, eu estava super adorando essa minha “nova vida”, não vejo eles, a não ser como cantores. O show ia tudo bem, então saíram pra troca de roupa, fui ajudá-los e já voltaram, tinhamos um tempo curto, então o show foi um pouquinho mais da metade, que o show normal, com todo o repertório certinho, depois do grande show, resolveram atender o contratante, o filho do dono do parque, e mais algumas pessoas, era incrivel essa ligação, esse amor que esses meninos carregam. Depois de mais ou menos, uma hora no camarim, seguimos pro hotel, prometendo que no outro dia passaríamos o dia todo no parque, se não a birra dos dois iria continuar, acho que seria legal. Segui direto pro meu quarto, tomei um banho, coloquei meu pijama e deitei, adormecendo de primeira. Acordei muito cedo, botei um short jeans curto, e uma regatinha colada, um tenis, e amarrei meu cabelo, Helo e Bruno já estavam tomando café nos esperando, chamei Davi, descemos, comemos, coloquei minha bolsinha de lado no meu ombro, e fomos até o parque, só a entrada já era lindo. Entramos e eu acho que Davi se sentiu na disney, pelo sorriso que soltava sem motivo. Seguimos para alguns brinquedos, e posso dizer que a muito tempo eu não em sentia tão feliz assim, o que eu não aproveitei na minha infancia, aproveitei em um dia só, a companhia deles era o melhor de tudo. Aproveitemos o máximo, e quase anoitecendo fomos pro hotel, eu não em aguentava em pé, então tomei um banho, e fui pro quarto de Davi vê se ele precisava de algo, disse que não e que já iria dormir, fiz o mesmo, segui para o meu quarto e capotei. Acordei no outro dia com Heloise pulando encima de mim, dizendo que eu estava atrasada pro nosso voô, rumo a algumas cidades que ela não parava de falar, levantei, fiz o que tinha pra ser feito, e desci, tomei café, e fui pra van, admito que acho que durmi no colo de Bruninho, chegamos no aeroporto e pegamos o voô, fui conversando com Helo, pois havia perdido todo meu sono.
- To com saudade dos meu pais ~ Falei, me lembrando que minha mãe reclamou de algumas dores, na ultima vez que nos falamos, em senti afastada deles ~
- Eu também, mas apartir do momento em que decidimos entrar nessa, sabiamos que não seria fácil, afinal, nada que vale a pena é fácil, não é mesmo? ~ Falou, e logo em seguida me olhou, pegando na minha mão ~
- É verdade ~ Queria me sentir menos culpada por algo em que eu não saberia o que era, mas meu pensamento não saía de meus pais, ~ A hora que eu chegar vou ligar pra minha mãe .
- Isso, aí sim, você fica mais tranquila ~ Nosso voô pousou e desembarcamos, seguimos de van pro hotel. Liguei pra minha mãe quando cheguei ~
- Oi ~ Uma voz fraca em atendeu, me assustei ~
- Mãe? A senhora ta bem?
- Oi minha filha, to sim ~ Falou ainda com sua voz fraca e sem vida, eu estava preocupada, pois se estava acontecendo algo, de certa forma eles estavam querendo me esconder ~
- Mãe, por favor. Eu sei que a senhora não está, me fale o que aconteceu .
- Falarei sim meu amor, mas por telefone não dá. Tente vir pra SP o mais rápido que puder ~ Falou, e logo em seguida já arrumando minhas roupas que eu estava tirando da mala, tudo nela de volta ~
- Vou hoje , agora mesmo, os meninos tem show só amanhã, fico ai hoje, e amanhã volto. Meio dia por ai devo chegar .
- Ok, te espero. Beijos meu amor, te amo ~ Minha mãe falou, e logo depois desligou, depois de eu me despedir . O que estava acontecendo com minha mãe? Se eu pudesse já estaria voando, até ela. Segui pro quarto dos meninos e contei tudo a eles, que disseram que não teria problema nenhuma, e que se eu precisasse poderia ficar amanhã também com minha mãe, dependendo o que me esperaria, não deixaria minha mãe sozinha. Cheguei no aero, logo depois embarquei, e depois de algum tempo, já estava em terra firme, peguei um táxi, e segui para minha casa. Cheguei lá, estava só Maria, a empregada da casa dos meu pais, era mais minha amiga, do que outra coisa. Cheguei lá, subi deixei minhas coisas, e fui para cozinha ~
- Oi Maria meu amor, como cê ta? Cadê todo mundo? Minha mãe? ~ Falei me sentando de frente a um balcão,olhando a casa vazia e logo em seguida mordendo uma maçã. ~
- Oi lindona, to bem. Estão no hospital .
- Que? Hospital? Mas por que? ~ Não sabia por que disso tudo, mais um medo percorria cada parte do meu corpo, me levando a um mundo escuro ~
- Vá até lá meu anjo, sue pai explica melhor. Não quero me meter. ~ Ela me deu um bilhete com o endereço do hospital, peguei as chaves do meu carro, e fui até ele, seguindo para o hospital. Cheguei lá e pedi pela minha mãe, uma senhora toda de branco, de idade já, me falou o número de seu quarto. Legal, além de terem me escondido, ela estava internada também? Segui para o quarto, e naquele corredor, um calafrio novamente me atacou, me dando medo, por olhar os quartos, daquele corredor, e perceber que era o andar das pessoas com cancer , mas não quis pensar em nada, apenas no positivo, achei o quarto de minha mãe, e ela estava deitada, com meu pai segurando sua mão, e uma enfermeira do seu lado, fazendo algo que eu não sabia o que era, ao entrar pude ouvir meu pai ~
- Você irá perder, mas também irá ganhar, seus belos cabelos , meu amor ~ Logo em seguida ele abraçou ela, aquilo me desmontou INTEIRA. Eu sempre desconfiei de uma suposta “depressão” de minha mãe, mas não que ela poderia estar com Cancer. Acho que eles não notaram minha presença, até que cheguei, e resolvi falar alguma coisa ~
- Mãe? ~ Falei assustada, olhando seus poucos fios que ainda tinham em sua cabeça, também caindo ~
- Oi meu… ~ Nisso ela segurou seu cabelo, e botou tudo pra fora, acho que tudo aquilo, era uma sessão de Quimioterapia , pois causa enjoôs e ela estava vomitando muito. ~ Amor ~ Ela sorriu, logo depois de conseguir terminar falar ~ Senta aqui, vem ~ Me chamou e eu fui, já chorando ~
- Porque você não me falou mãe?
- Porque iria doer muito, e você estava numa fase tão linda, tão boa da tua vida ~ Se existe alguém se culpando mais que eu se pronuncie. Deixei minha mãe de lado no momento em que ela mais precisou, segui a minha vida, sem nem saber como estava a dela ~
- Desculpa mãe, desculpa por ter me afastado da senhora, eu não queria isso ~ Falei enquanto ela me puxou pra um abraço, podendo ali, derramar todas as lágrimas que haviam em meu corpo. ~
- Você não tem culpa. Desculpa a mamãe por ter escondido ? ~ Falou rindo fraco ~
- Não tem nem o que se desculpar meu amor ~ Fiquei ali em seu braços, a segurando quando se sentia mais fraca, depois de algumas horas, ela parou com o tratamento e se deitou. Depois de muito tempo meu pai havia sumido, mas antes eu havia matado também a saudade dele, logo depois ele chegou com algumas roupas de minha mãe. Eu achava que ela vinha só pro tratamento, mas o que estava parecendo era que ela estava internada mesmo ~
- A senhora vai ficar aqui até quando? Não pode fazer o tratamento em casa?
- Até quando Deus permitir meu amor ~ Não queria ter ouvido isso, mas pelo menos dessa vez ela não estava me escondendo nada ~ Poder posso, mas meu caso é mais sério filha ~ Falou me olhando, logo em seguida a enfermeira saiu, deixando apenas eu, meu pai, e minha mãe ali ~
- Como mais sério?
- Senta aqui ~ Falou batendo fraquinho com sua mãe, na cama ao seu lado, pra mim, me sentar. Fui até lá e sentei ~
- Meu câncer como seu pai te explicou era apenas um tumor pequeno, mas ele cresceu e se espalhou, afetando grandes partes importantes do cerébro, o que é impossivel de fazer cirurgia e conseguir tirar todas as raízes, então decorremos ao tratamento, hoje foi a última sessão, indo embora com ele, meus últimos fios de cabelo fracos que eu ainda tinha ~ Não meu Deus, porque com minha mãe? Por que senhor? Chorava muito ouvindo ela falar, com sua voz mansinha, nunca ouvi, mais podia ter certeza, que era assim, a voz de um anjinho. Continuei escutando ~ Mas o tratamento não é isso que as pessoas pensam, faz ele e logo em seguida vem a cura. Muitas vezes algumas pessoas que não são tão “sortudas” não respondem como deviam ao resultado da quimio , isso quer dizer que, eu fui uma dessas “não tão sortudas” e o tratamento não está sendo o suficiente ~ Senti meu mundo desabar ~
- Mas você é forte mãe, você vai sair dessa, eu sei que vai ~ A abracei com todo amor do mundo, sendo acolhida nessa mesma intensidade. Depois de um tempo ali, só sentindo seu coraçãozinho, a enfermeira veio avisar que poderia ficar apenas uma pessoa, como meu pai ficou quase um mês com ela aqui, resolvi eu ficar aqui mesmo. A noite ela reclamava alumas vezes de enjoô ou dor, mais logo em seguida, a base de alguns remédios ela dormia. Acordei no outro dia uma aglomeração naquele corredor, e minha mãe não estava no quarto, foi quando vi meu pai vindo em minha direção chorando ~
- Que foi pai? Cadê a mãe? O que aconteceu? ~ Ele só fazia chorar ~ Fala pai, pelo amor de Deus .
- Ela passou muito mal, e foi levada pra uma sala lá, não me pergunte qual pois eu não sei ~ Assim, seguimos pra essa tal sala, e minha mãe sangrava muito, em cada parte do corpo. Se Deus quisesse levar ela, por que Deus tinha que fazer ela sofrer também? ~
- Ela está mal, muito mal como estão vendo, não dou esperanças a família, pois até eu não sei o que pode acontecer, o que podiamos, nós fizemos, agora é rezar pra que ela responda aos medicamentos ~ Um médico alto, falou, logo em seguida me abraçando e saindo. Passei umas boas horinhas em pé, atrás daquele vidro acompanhando tudo, quando um aparelho começou a apitar loucamente, fazendo com que as enfermeiras, puxassem as cortinhas, trancando minha visão de olhar minha mãe. Depois de uns bons minutos agoniantes, veio uma enfermeira chorando ~
- Desculpa ~ Me abraçou ~ Fizemos de tudo, mas não deu. ~ Abraçou meu pai, e logo em seguida pegou sua mãe e olhou pra ele, falando depois desse ato ~ Dessa vez você não vai poder levar ela pra casa, como das outras vezes. Meus pesames, sinto muito ~ Logo depois saiu, e eu pedi em oração, pra que o que estivesse acontecendo fosse mentira. Meu pai me abraçou, e seguimos para uns sofázinhos que tinha lá . Tudo tão rápido, Deus quis mais um anjo ao lado dele. Agora só ele mesmo sabe, como e onde, eu iria conseguir forças pra continuar minha vida ~